disney
A maternidade na terra das fadas!
25 de novembro de 2016
Show all

A Maternidade na Terra das Fadas!

maleficent

Maternidade e Malévola

Essa coluna é feita por duas pessoas: a Juliana e a Luciana. Pra ficar mais fácil de entender quem está falando com você em cada momento, vou mudar as cores do texto! O texto vermelho é a Luciana falando, enquanto que o texto lilás, é a Juliana conversando com você!
Malévola e Maternidade?
Sim... O filme da Disney, Malévola, também nos traz excelentes reflexões sobre a maternidade. Você sabia disso?
Eu confesso que fiquei bem assustada quando a Ju (Juliana Ruda) propôs que o primeiro conto para analisarmos fosse Malévola. Eu ainda não o conhecia, embora não me faltasse vontade. Então, foi uma ótima oportunidade para juntar o útil ao agradável. Mas o susto foi por começar nossa coluna já falando da madrasta, da vilã, com tanto enfoque nela.
Bom, depois de conseguir pôr o pequeno para dormir, coloquei o filme para assistir com o maridinho. Os programas à dois depois do nascimento dos pimpolhos ficam bem mais restritos, então, qualquer oportunidade é válida.
Vamos começar, então, a falar do filme. Mas antes o aviso é importante: esse texto pode apresentar spoilers!!! Cuidado! Rsrs.
Concordo com a Lu que, quando pensamos na personagem Malévola, nossa primeira reação é de estranheza. Afinal, como uma vilã pode estar relacionada ao papel de mãe?
Primeiro, é interessante você saber que, na sua origem, os contos eram muito mais sombrios e macabros. Em muitas versões atuais, nos deparamos com a figura da bruxa, da madrasta, da vilã, a qual, geralmente, tem inveja da enteada, tentando, de todas as formas, prejudicá-la. Contudo, nos contos originais, essa função era da mãe, e não da madrasta, por exemplo. Ter a mãe representada por essa ideia de mal era muito forte, sendo assim modificada aos poucos e atribuída às personagens mencionadas acima.
Realizada essa contextualização histórica, podemos prosseguir. Inicialmente, olhando para Malévola, realmente, não conseguimos encontrar nenhuma característica maternal, ainda mais se tivermos muito presente em nossa mente a imagem dessa personagem no desenho “A Bela Adormecida”, de 1959 desenvolvido pela Disney.
Em 2014, pudemos conhecer a verdadeira história da Malévola, em um filme focado somente nela. E aí, iniciamos a nossa aventura, não só por este conto, como também pela Maternidade na Terra das Fadas.
Malévola já começa inovando. Ao contrário dos Contos de Fadas tradicionais, esse conta a história da vilã! Embora a Princesa Aurora, a famosa Bela Adormecida, apareça no filme, o foco é todo na vilã. É como se fosse um outro olhar sobre a história já contada.
E esse fato já gera uma reflexão muito legal para nós, mães: na maioria das vezes, o foco é na criança, tanto o nosso quanto das pessoas que nos cercam. Muitos se preocupam com o desenvolvimento do pequeno, com as horas de sono, com a alimentação, com o colo, com a atenção. Nos preocupamos em darmos nosso melhor para nossa cria. Muitas vezes, vibramos mais com um presente que compramos para nossos filhos do que com algo que adquirimos para nós mesmas. E, nesse sentido, Malévola nos convida a pensar em nós. A olhar a história sobre um outro aspecto. Em qualquer relação existe, pelo menos, dois lados, duas histórias, ou seja, duas pessoas envolvidas. Para que a relação seja bem-sucedida é importante que se dê especial atenção para os dois seres envolvidos.
No começo da trama, nos deparamos com a Malévola criança, uma menina espontânea, independente, divertida, pronta para ajudar os outros, sapeca, amorosa. No decorrer da história, a sensação que temos é que ela perdeu essas características que definem a sua criança interior, a sua essência. Mas isso não é bem verdade. Elas sempre existiram em seu interior, e, continuaram ali, apenas adormecidas por uma grande dor que sofrera na vida adulta. Podemos aqui, fazer um paralelo com a maternidade. “Ser mãe de primeira viagem” assusta, nos dá medo, nos causa preocupação. “Será que daremos conta? Será que seremos boas mães?”.
Logo que Malévola tem suas asas cortadas, a Bela Adormecida, que narra a história, comenta que a Fada (sim, Malévola é uma fada!), nunca entendeu a ganância do homem, mas, em breve, compreenderia. E, mais uma vez, podemos pensar na maternidade. A compreendemos muito mais quando a estamos vivenciando de fato.
Eu, Luciana Rocha, sempre falo, e chego até a ser repetitiva, que nós só podemos oferecer para o outro o que temos dentro de nós! E é preciso conhecer o que guardamos em nosso íntimo.
Malévola entra aqui, mais uma vez, reforçando essa reflexão: o filme mostra quem era a fada em sua infância e o que a fez lançar o feitiço contra a princesa ainda bebê. Malévola estava cheia de mágoa, rancor, raiva, tristeza. Sentia-se enganada, abandonada e frustrada. Ela “presenteou” a princesa com o que era mais presente em seu coração.
Malévola era considerada a mais forte das fadas. Este aspecto é muito associado às mães, não é mesmo? As mães são figuras fortes, protetoras, amorosas, porém, também são firmes, educam, alertam, colocam limites, indicam os caminhos, para que, na maturidade, os filhos tomem as suas próprias escolhas. A personagem lançou a maldição em Aurora, no entanto, sempre esteve zelando pela menina. Até que, na sua adolescência, elas têm o primeiro contato. Aurora não a vê como um ser malvado, ela atribui à Malévola a imagem da mãe boa, da Fada Madrinha, daquela que está cuidando dela. A Fada apega-se cada vez mais a menina. Certo dia, a chama para conversar e a alerta dos males que existem no mundo, a convidando para morar com ela. Ou seja, uma atitude protetora, maternal.
Isso nos traz mais um ponto importante para reflexão: embora fortes, protetoras e amorosas, cada mãe tem uma forma única de demonstrar seu afeto por seu filho. E essa forma deve ser sempre validada. A força vem das superações, dos desafios vencidos, das dificuldades enfrentadas. Nem tudo são flores, muitas vezes o mundo parece pesado e cinza. Assim como acontece no filme. Porém, quando nos reencontramos, quando nos damos valor e abrimos espaço para o amor – conosco, com nosso bebê e com nossa nova realidade – a cor volta.
Na trama da Disney, o filme é rodado numa tonalidade mais sombria enquanto Malévola está envolta em sua dor. Algo semelhante ao que acontece conosco, quando mergulhamos em nossa dor.
Após conhecer melhor a princesa, após anos a acompanhando, quando se permitiu aproximar-se de Aurora afetivamente, quando permitiu que Aurora aproximasse, Malévola reconhece um sentimento antigo e esquecido, o amor. E pelo amor, tenta desfazer o feitiço e, posteriormente, luta contra para ajudar a salvar sua Bela Adormecida. E é o seu beijo, do verdadeiro amor, que salva a princesa da maldição.
A personagem principal tenta de todas as maneiras evitar que a maldição concretize-se, porém, apesar dos seus esforços, não consegue. Dirigi-se, então, até o castelo, onde Aurora já furara o seu dedo na roca e caíra em sono profundo. Malévola leva consigo o príncipe Phillip, o qual acredita que poderá quebrar o feitiço com um beijo de amor verdadeiro. No castelo, ela sabe que enfrentará desafios, e em nenhum momento reluta frente a eles. Mais uma característica maternal, não é? Não costumamos dizer que mães são “leoas” ao protegerem seus filhos? O mesmo faz Malévola.
Um dos pontos mais altos desse conto é quando Malévola descobre que o beijo de amor verdadeiro para despertar Aurora, não é o beijo do príncipe, e sim o seu beijo, o beijo do amor mais puro e verdadeiro que existe: o amor de mãe.
Aurora desperta. Malévola também desperta. Ela desperta quando recebe as suas asas de volta. Símbolo de poder e ao mesmo tempo de leveza. Símbolo ainda de liberdade! Agora, ela pode voltar a voar mais e mais alto, pois Aurora já amadureceu, e não precisa tanto dela como antes. Essa ideia é representada ainda no enredo quando Malévola derruba seu muro de espinhos e passa a sua coroa para a princesa, unificando, desse modo, os dois reinos – dos seres mágicos e do homem. Aqui, há um fechamento de um ciclo e a compreensão de que os filhos crescem e passam a ter as suas próprias asas e as suas próprias aventuras.

As reflexões que a interpretação de Disney nos deixam são ainda sobre o amor! Precisamos lembrar que o amor surge do contato, da relação, da convivência. Mas ele somente acontece quando nos permitimos e nos abrimos para ele. Quando abrimos espaço em nossos corações, em nossas mágoas, feridas e tristezas para que ele nasça, cresça e se desenvolva.
O amor verdadeiro supera a dor, as adversidades e cura, embala, briga e salva. Algumas horas, fraqueja; em outras, supera.
Semelhante à Malévola, você, mãe, não perde a sua essência quando passa a exercer esse papel. Pelo contrário, ela continua ali, dentro de você. Apenas, está dando espaço para novas transformações. Como diz, ao final desse conto, o reino foi salvo por alguém que era tanto herói como vilão. E ser mãe exige aprender a saber dosar em que momentos a heroína irá aparecer e a vilã – no sentido de autoridade – irá se sobressair.
O que você acha? Percebe mais alguma semelhança com a maternidade?
Conte-nos!

2 Comments

  1. Elayne Rangel disse:

    Meninas parabéns adorei a visão de vocês sobre o conto! Vou assistir ao filme novamente com um novo olhar😍 Um beijo e obrigada pelo lindo projeto! O

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *